13/04/2017 às 18:00:00

Cassems, ONU Mulheres, Opas e Xaraés firmam convênio para levantar dados da violência contra a mulher

Redação



A Cassems, em parceria com Organização das Nações Unidas para as Mulheres (ONU Mulheres), com Organização Pan-Americana para as Mulheres (OPAS) e com a Xaraés Consultoria e Projetos, assinou na manhã desta quinta-feira (13), um protocolo de intenções para o enfrentamento da violência contra as mulheres. O evento aconteceu no auditório do Hotel Deville e contou com diversas autoridades, conselheiros e diretores da Cassems.


Entre os objetivos desta parceria estão o desenvolvimento de ações internas e externas visando à diminuição da violência contra as mulheres no Estado e a realização de uma consultoria qualificada para mensurar os impactos da violência no plano de saúde e transformar a Caixa dos Servidores em uma referência nacional e internacional nesse combate.


O protocolo também visa identificar como a Cassems é afetada com a problemática da violência contra a mulher e possibilitar a apropriação de conhecimentos a respeito deste tipo de violência e as desigualdades sociais em suas relações com questões étnicas, raciais, de gênero e de educação.

De acordo com a presidente da Xaraés Consultoria e Projetos, Aparecida Gonçalves, o Brasil é um dos países onde as mulheres mais sofrem com a violência contra a mulher, daí a necessidade desse enfrentamento.


“Para nós da Xaraés é muito importante e histórico para Mato Grosso do Sul, para o Brasil e, porque não, para o mundo a realização dessa parceria. Nós temos dados da OMS que apontam que 10% do PIB mundial é gasto com a violência contra as mulheres e essa parceria será capaz de avaliar o que se gasta em saúde e o custo social e político para o país. O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo, nós matamos mais mulheres do que El Salvador, nós matamos mais mulheres do que a Faixa de Gaza. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que, em 2014, aconteceram mais de 500 mil estupros no país. É preciso prevenir, é preciso mudar comportamento, porque não é normal mulher apanhar e não é normal homem bater”, pontua Aparecida.


O representante Oficial da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), que representa a Organização Mundial de Saúde (OMS), Joaquim Molina, destaca a participação da Cassems porque o atendimento à saúde é o primeiro contato que a mulher vítima de violência faz.


“A nossa organização tem um interesse muito grande em apoiar essa parceria e, sobretudo, o expressar nosso compromisso e nosso apoio no trabalho em conjunto. A participação da Cassems nessa ação é muito importante porque o primeiro contato que a mulher tem quando é maltratada, de qualquer forma, seja física ou emocional, é no atendimento à saúde. Com o resultado dessa pesquisa nós vamos chamar atenção porque a violência contra a mulher tem que acabar, tem que ser eliminada de um jeito que nunca mais volte”, afirma Molina.


De acordo com a representante oficial da Organização das Nações Unidas para as Mulheres (ONU Mulheres) no Brasil e do Conesul, Nadine Gasman, a presença da Cassems na parceria é importante devido à gravidade dos dados sobre a violência contra a mulher levantados no Brasil.


“A violência contra a mulher é um problema de saúde pública e de justiça social que vitimiza uma em cada três mulheres, no mundo. Esta parceria é para pesquisar os custos e as consequências da violência contra a mulher para aprimorar os serviços e, fazer assim, a prevenção essencial. A nossa participação nessa parceria é para dar apoio técnico, desenvolver em conjunto a metodologia e, sobretudo, a divulgação dos resultados e acredito que vamos surpreender. Tudo o que nós temos feito nas últimas décadas, para levar o problema da violência contra a mulher do privado para o público, têm levado às mulheres a falarem, contarem suas experiências. A violência contra a mulher não é normal, é um crime e oBrasil ainda é responsável por 40% de toda a violência contra a mulher na América Latina”, informa Nadine.


Para o presidente da Cassems, Ricardo Ayache, por Mato Grosso do Sul ser um dos Estados onde as mulheres mais sofrem com a violência, essa parceria pretende, além de levantar dados, chamar a sociedade para o combate a esse mal.


“Esta iniciativa tem como maior objetivo destacar para a população a importância de se combater a violência contra a mulher e como nós estamos num Estado onde esse tipo de violência é muito incidente, nós resolvemos pesquisar junto a ONU e a OPAS, qual é a incidência dentro da Cassems e, assim, para avaliar os custos econômicos e sociais da violência contra a mulher. Assim, a gente pode, junto com a sociedade, combater de forma efetiva esse mal que acomete tantas mulheres”, analisa.


Ayache também explica quais serão os caminhos trilhados após a formalização do convênio. “Após celebrar esse convênio, nós vamos a campo fazer uma pesquisa com os nossos beneficiários, tabular todos os dados que serão apresentados na ONU, em Genebra, em 2018. Essa pesquisa vai identificar as mulheres que foram vítima de violência, não só física, mas também emocional, e diante desse resultado, com números bastante consistentes, vamos ajudar no combate a violência”, finaliza.


Violência contra a mulher      

                                                                                                

De acordo com o “Relatório Mundial sobre Violência e Saúde 2002” da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 48 pesquisas realizadas com populações do mundo todo, entre 10% a 69% das mulheres relataram ter sofrido agressão física por um parceiro íntimo em alguma ocasião da sua vida. Para muitas dessas mulheres, a agressão física não foi um evento isolado, mas sim parte de um padrão contínuo de comportamento abusivo.


Ainda segundo o relatório da OMS, as consequências do abuso são profundas, indo além da saúde e das felicidades pessoais, chegando até mesmo a afetar o bem-estar de comunidades inteiras. Viver um relacionamento violento afeta o senso de auto estima de uma mulher e sua capacidade de participar do mundo. Estudos mostram que mulheres que sofreram abuso são rotineiramente restringidas em suas formas de acesso a informação e serviços, participar da vida pública e receber apoio emocional de amigos e parentes. Não é de surpreender que, frequentemente, essas mulheres não consigam cuidar de si mesmas e de suas crianças, tampouco consigam procurar empregos e seguir carreiras.


De acordo com dados do Instituto Avon e do Data Popular, três em cada cinco mulheres jovens já foram agredidas em seus relacionamentos efetivos e 48% das mulheres já haviam sofrido algum tipo de violência em sua própria residência. Em Mato Grosso do Sul, as mulheres sofrem com violência em todas as regiões do Estado e cidades como Dourados, Campo Grande, Paranaíba, Cassilândia, Aquidauana, Corumbá e Ponta Porã estão no topo do ranking desse tipo de ocorrência.  Entre os anos de 2003 e 2015, 664 mulheres foram internadas por agressão nos serviços de saúde no Estado de Mato Grosso do Sul.


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