07/10/2017 às 18:18:00

Como o McDonald's acabou lucrando com o comércio legal de maconha nos EUA

Redação
Mulher usando óculos com folha de maconhaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPesquisa feita nos EUA indicou os restaurantes mais frequentados pelos usuários de maconha

Fome. Muita fome. É o que sentem, normalmente, os usuários de maconha depois de consumir a erva.

Nos EUA, as redes de fast food estão se beneficiando indiretamente da venda e o uso legal de maconha, permitido em vários Estados.

Um estudo do portal de notícias financeiras Green Market Report e da consultoria Consumer Research About Cannabis mostra que 43% dos entrevistados que declaram fumar maconha escolheram o Mc Donald's como primeira opção para comer nas últimas quatro semanas.

A pesquisa foi realizada com 27 mil pessoas em 25 Estados americanos. Estima-se que 4,7 milhões de usuários, o equivalente a 8,5% da população americana, comprem cannabis de forma legal nos Estados Unidos.

Mas por que o McDonald's?

HamburguerDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionCerca de 27 mil pessoas responderam a entrevista online

Não é, necessariamente, pela qualidade da comida da lanchonete tampouco pela oferta de produtos específicos para esse público.

Questionado sobre o que explica o fato de o McDonalds liderar a lista de restaurantes favoritos dos usuários da erva, Jeffrey Stein, vice-presidente da Consumer Research About Cannabis, salienta a capilaridade e fácil acesso às lojas da rede.

"Simplesmente pelo tamanho (da rede) e pela quantidade de lojas, especialmente nos Estados onde a venda de maconha é legal tanto para uso recreativo quanto medicinal", disse Stein em entrevista à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC. "Não podemos esquecer que, além dos lugares onde o consumo é permitido, a erva também é usada em outros locais", observou.

A pesquisa é parte de uma série chamada "Cannabis Freakonomics", que traz diferentes dados coletados pela Consumer Research Around Cannabis, especialista em dados relativos à erva.

Redes de fast food favoritas dos usuários de maconha

A pesquisa indica uma preferência por comida barata e serviço rápido. "Os dados revelam uma tonelada de achados interessantes que gostaríamos de dividir com a indústria", afirmou Stein na página do portal Green Market Report.

Os restaurantes preferidos dos usuários de maconha, conforme indicou a pesquisa, são todos das grandes redes de fast food. Apesar disso, Stein diz que há espaço para disputar esse mercado gastronômico se as empresas analisarem interesses, salários, educação e hábitos de consumo dos potenciais clientes.

Debra Borchardt, cofundadora e diretora executiva do Green Market Report, afirma que empresas como a Taco Bell, inspirada na culinária mexicana, poderiam facilmente cativar esse público.

"Hoje essas redes estão relutantes em se dedicar abertamente ao segmento, mas espero que essas reservas diminuam à medida que o mercado continue a amadurecer", avalia Borchardt.

Fachada do Taco BellDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA rede Taco Bell, de comida mexicana, ficou em segundo lugar no "ranking da larica"

Ela avalia que se o comércio de maconha for legalizado em nível federal nos EUA, outras redes de comida vão se lançar em busca desses consumidores. E aposta ainda que a tendência crescente de consumo de alimentos saudáveis pode ser um diferencial aos que vão disputar esse mercado.

Além disso, o consumidor de maconha tende a ser um cliente bastante leal, assegura Borchardt.

Batatas fritasDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAutores da pesquisa acreditam que há um mercado em potencial para atender usuários de maconha

O apetite voraz, também conhecido como "larica", do usuário da erva também tem sido objeto de múltiplas pesquisas.

Há cientistas que dizem que o princípio ativo da maconha, o THC (tetrahidrocarbinol), intervém nos receptores do lóbulo olfatório no cérebro, aumentando significativamente a habilidade de sentir cheiro de alimentos e, consequentemente, a vontade de comer.

Por outro lado, há pesquisadores argumentando que a maconha engana o sistema central do cérebro, fazendo com que neurônios encarregados de inibir o apetite desencadeiem um efeito contrário.

Nos Estados Unidos, sete Estados já legalizaram o consumo recreativo de maconha para adultos, e outros 32 aprovaram o uso medicinal da erva.

bbcbrasil

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