12/04/2016 às 15:11:00

Descoberta. Como funciona um cérebro sob efeito de LSD

É a primeira vez que os cientistas conseguem entender como funciona o cérebro sob efeito de uma das drogas mais poderosas do mundo. "É como ter descoberto o bosão de Higgs", dizem. Veja as imagens.

Redação

Os cientistas conseguiram pela primeira vez uma série de imagens que mostram como funciona o cérebro sob efeito de dietilamida do ácido lisérgico (LSD), uma das substâncias alucinogénias mais fortes do mundo. Esta droga provoca aquilo a que os psiquiatras chamam de “dissolução de ego”, ou seja, a sensação de que se está desligado da própria consciência, como se corpo e mente não estivessem unidos. Estas imagens são bons indicadores para entender a “matéria da consciência”, isto é, que partes do cérebro estão envolvidas na perceção que temos de nós próprios. “Para a neurociência humana, isto é como ter descoberto o bosão de Higgs”, explica Robin Carhart-Harris, cientista líder do estudo do Colégio Imperial de Londres.

Durante dois dias, a equipa de cientistas pediu a 20 voluntários que bebessem uma infusão. Em metade desses produtos estava dissolvidos 75 miligramas de LSD, enquanto na outra metade havia um placebo. A seguir, todos eram submetidos a exames de neuroimagiologia. Quando juntaram os resultados de três exames específicos, os cientistas chegaram a um esquema de cores que reflete a atividade neural de alguém sob efeito de drogas. As diferenças, como pode ver aqui em baixo, são notáveis.

lsd

A atividade cerebral de um indivíduo sob efeito de LSD é caracterizada por uma menor coordenação das zonas incluídas na chamada “rede neural por defeito”. A neurociência define essa rede como os percursos de regiões cerebrais em interação conhecida por ter uma grande correlação entre as partes, mas sem grande comparação com o funcionamento do resto do cérebro. Por norma, essa rede está mais ativa quando a pessoa está numa espécie de “transe” em que parece desligada do mundo exterior como, por exemplo, quando se sonha acordado ou se está em divagação mental.

Os cientistas também repararam que o ritmo das ondas cerebrais alfa – que são muito lentas e mais notadas durante o sono ou em situações de extrema serenidade – enfraquecem ainda mais nos indivíduos que ingeriram LSD, o que pode justificar a sensação de “dissolução do ego” característica de quem consome esta droga. Como estas ondas são mais fortes no ser humano do que em qualquer outro animal, os neurocientistas acreditam que são elas que conferem ao humano o estado de consciência.

Apesar de todos estes pormenores, os cientistas explicam que um cérebro sob efeito de LSD “funciona de forma mais simples” porque a comunicação entre as várias regiões do órgão torna-se mais eficaz. Por exemplo, a ligação entre o córtex visual e todas as outras zonas do sistema visual tornam-se mais eficientes, o que pode explicar também as alucinações semelhantes aos sonhos lúcidos.

A dietilamida do ácido lisérgico (LSD) foi descoberta há cerca de 75 anos, quando o químico Albert Hofmann consumiu esta substância acidentalmente e descreveu uma experiência de “expansão mental” que era pouco entendida na época. Durante os anos cinquenta e sessenta, a utilização do LSD tornou-se mais comum em laboratórios interessados em estudar disfunções de personalidade e vícios, por exemplo. A certa altura, as entidades reguladoras começaram a limitar a utilização desta droga e os estudos foram diminuindo.

E não, a canção Lucy On the Sky with Diamonds, dos Beatles, não se refere a LSD (como muitas vezes foi referido devido às iniciais). Eles já explicaram quem era Lucy (e sim, ela existiu mesmo).

observador.pt

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