08/11/2017 às 10:40:00

Em Seul, Trump adverte Coreia do Norte: Não nos provoque

Presidente americano está em viagem pela Ásia. Após pronunciamento no parlamento sul-coreano, Trump seguiu para a China.

Redação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu nesta quarta-feira (8) a Coreia do Norte de que "chegou o tempo da força", em um discurso no Parlamento em Seul, na Coreia do Sul. "Não nos provoque", declarou, antes deembarcar para a China.

"Todas as Nações responsáveis devem unir suas forças para isolar o brutal regime da Coreia do Norte", declarou Trump. "Não se pode apoiar ou aceitar isto".

Trump disse que oferece ao líder norte-coreano, Kim Jong-un, "um caminho para um futuro melhor", em meio à crescente tensão pelo programa nuclear de Pyongyang.

"As armas que você está desenvolvendo não lhe darão mais segurança. Você está colocando seu regime diante de um grave perigo. Apesar de todos os crimes cometidos contra Deus e contra os homens, nós vamos lhe oferecer um caminho para um futuro melhor", disse o chefe de estado americano.

O presidente dos EUA pediu ainda que o regime norte-coreano não subestime ou "teste" os governos de Washington e Seul, além da comunidade internacional.

"Falo em nome não apenas de nossos países, mas de todas as nações civilizadas quando digo ao Norte: não nos subestime e não nos coloque à prova. Defenderemos nossa segurança comum, prosperidade compartilhada e sagrada liberdade", afirmou.

"Não permitiremos que cidades americanas sejam ameaçadas com a destruição. E não permitiremos que as piores atrocidades da história sejam repetidas aqui, nesta terra pela que qual lutamos e morremos", disse Trump, em referência à Guerra da Coreia (1950-1953) e às ameaças de Pyongyang contra território americano.

Em discurso especialmente duro, o presidente dos EUA voltou a defender a exibição de força realizada pelo seu país na região com a implantação de importantes ativos militares e disse que busca a "paz através da força".

"Os EUA nunca buscaram o conflito ou confronto, mas não fugiremos disso", advertiu Trump, que listou os ativos estratégicos que o Pentágono implantou na região, entre eles um submarino e três porta-aviões de propulsão nuclear.

Além disso, o presidente americano também mandou uma mensagem direto para Rússia e China, cujos governos pediram para "implementar plenamente as resoluções do Conselho de Segurança da ONU (contra a Coreia do Norte), reduzir as relações diplomáticas com o regime e cortar todos os laços de fornecimento comercial e tecnológico".

"É a nossa responsabilidade e nosso dever enfrentar este perigo juntos, pois quanto mais esperarmos, o perigo aumentará e as opções serão reduzidas", acrescentou.

Horas antes do seu discurso na Assembleia nacional, Trump teve que suspender uma visita surpresa à tensa região desmilitarizada (DMZ) que separa as duas Coreias, por conta de um nevoeiro que impediu seu deslocamento em helicóptero saindo de Seul.

Progresso x porta-aviões

Na terça-feira (7), após um encontro com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, Trump afirmou que houve progresso na relação com a Coreia do Norte e fez um apelo para que o país negocie um acordo. Por outro lado, ele anunciou que posicionou porta-aviões e um submarino na região da península coreana.

"Eu acho que estamos mostrando muita força. Enviamos três dos maiores porta-aviões do mundo [para a península coreana] e um submarino nuclear também está posicionado. Esperamos que nunca precisemos usar", afirmou.

"Dito isso, eu realmente acredito que faz sentido que a Coreia do Norte chegue à mesa de negociações e faça um acordo que seja bom para o povo da Coreia do Norte. Eu vejo certo movimento, mas vamos ver o que acontece", afirmou.

Viagem à Ásia

Na primeira escala da sua viagem, o presidente americano visitou o Japão, onde se reuniu com o imperador do país, Akihito, e com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.

Ao lado de Abe, Trump declarou que "a era da paciência estratégica acabou". O Japão, que nos últimos meses viu o regime de Pyongyang lançar dois mísseis que sobrevoaram seu território, apoiou a proposta americana.

A viagem de Trump é a mais longa de um presidente americano em 25 anos à Ásia e acontece após meses de tensão entre Washington e Pyongyang. O governo de Kim Jong-un troca ameaças verbais com a administração Trump.

Após o pronunciamento no parlamento, Trump seguiu para a China. Ele também participará da cúpula da APEC (Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), no Vietnã, e do fórum da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), nas Filipinas.

 

g1.com

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