Após desistência de Bachelet, Brasil defende participação de mulheres da região na disputa pela ONU

Após desistência de Bachelet, Brasil defende participação de mulheres da região na disputa pela ONU

Governo brasileiro afirma que a América Latina e o Caribe têm mulheres com experiência e qualificação para ocupar o cargo de secretária-geral das Nações Unidas

O governo brasileiro defendeu que a América Latina e o Caribe possuem mulheres com experiência e qualificação para disputar o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), após a ex-presidente chilena Michelle Bachelet desistir de concorrer à sucessão de António Guterres.

A retirada de Bachelet modifica o cenário da disputa pelo comando da organização e reacende o debate sobre a possibilidade de a região apresentar uma candidatura feminina.

Bachelet retira candidatura

Michelle Bachelet é candidata a secretária-geral da ONU com apoio de Brasil  e México - RFI

Michelle Bachelet, que governou o Chile por dois mandatos e também ocupou o cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, havia sido apontada como um dos principais nomes latino-americanos para a sucessão.

A desistência encerra, neste momento, a possibilidade de sua candidatura representar a região no processo.

Bachelet possui uma trajetória política e internacional de décadas, incluindo experiências no governo chileno e dentro da própria estrutura da ONU.

Brasil defende candidatura feminina

Após a decisão da chilena, o governo brasileiro afirmou que a região ainda possui mulheres capazes de ocupar o principal cargo da organização internacional.

A posição brasileira ocorre em meio às discussões sobre a sucessão de António Guterres, cujo mandato se aproxima do fim.

O processo envolve consultas entre países-membros e deverá avançar nos próximos meses.

América Latina busca espaço na ONU

A representação regional também é um dos fatores considerados nas discussões sobre a sucessão.

A escolha do próximo secretário-geral passa por negociações diplomáticas entre os países-membros, enquanto o Conselho de Segurança exerce papel central no processo.

A região latino-americana busca manter participação relevante nas discussões sobre o futuro comando da organização.

Mulheres ainda são minoria no comando

A possibilidade de uma mulher assumir a Secretaria-Geral da ONU também coloca em debate a representação feminina nos cargos mais altos da diplomacia internacional.

Desde a criação das Nações Unidas, em 1945, nenhuma mulher ocupou o cargo de secretária-geral.

A discussão sobre uma possível candidata feminina ganhou força nos últimos anos, especialmente entre países que defendem maior equilíbrio de gênero nas instituições internacionais.

Processo de escolha ainda está em andamento

A definição do próximo secretário-geral depende de negociações diplomáticas e de uma votação no Conselho de Segurança antes da nomeação pela Assembleia Geral.

O candidato precisa obter o apoio necessário entre os membros do Conselho, incluindo a ausência de veto dos cinco membros permanentes.

Por isso, a retirada de uma candidatura não encerra a disputa nem define antecipadamente quem ocupará o cargo.

Região deverá avaliar novos nomes

Com a saída de Bachelet, países latino-americanos e caribenhos podem avaliar outras possibilidades para manter a região presente na disputa.

O Brasil, ao defender que existem mulheres qualificadas na região, sinaliza a intenção de manter o debate sobre uma candidatura feminina latino-americana.

A sucessão de António Guterres deverá continuar sendo negociada diplomaticamente, com diferentes países avaliando nomes e prioridades para a próxima gestão da ONU.