Mulher dá à luz aos 54 anos na Grécia com embrião congelado há mais de duas décadas

Mulher dá à luz aos 54 anos na Grécia com embrião congelado há mais de duas décadas

Bebê nasceu saudável após fertilização in vitro com embrião preservado desde 2004; caso reacende debate sobre limites de idade para reprodução assistida

Por Redação FOCOMS | 10/09/2026

Uma mulher de 54 anos deu à luz uma menina na Grécia após utilizar um embrião que estava congelado havia mais de 22 anos. O caso chamou atenção por envolver um dos períodos mais longos de criopreservação já relatados com nascimento bem-sucedido.

Christina Rapti-Tzelepi recorreu ao tratamento de fertilização in vitro após a morte do filho único, de 21 anos, em um acidente de carro ocorrido em 2025.

A bebê nasceu nesta quarta-feira, dia 9, saudável e pesando 3,49 quilos.

Embrião estava congelado desde 2004

O embrião utilizado na gravidez havia sido congelado em 17 de março de 2004, durante um tratamento de fertilização in vitro realizado por Christina.

Naquele período, ela conseguiu engravidar e teve seu primeiro filho. Outros embriões permaneceram armazenados por meio de criopreservação.

A técnica utiliza temperaturas extremamente baixas para interromper a atividade biológica do embrião e permitir que ele seja utilizado anos depois.

Após a morte do filho, a família decidiu recorrer ao material que ainda permanecia preservado.

Tratamento ocorreu próximo ao limite de idade

A legislação grega estabelece 54 anos como idade máxima para tratamentos de reprodução assistida.

Por isso, Christina precisou concluir os procedimentos médicos e obter autorização da autoridade responsável pela reprodução assistida no país antes de atingir o limite estabelecido.

O procedimento foi autorizado e resultou na gravidez que terminou com o nascimento da menina.

Caso pode estabelecer novo marco

De acordo com o ginecologista Konstantinos Pantos, responsável pelo acompanhamento do caso e secretário-geral da Sociedade Helênica de Medicina Reprodutiva, o período entre o congelamento do embrião e o nascimento foi de aproximadamente 22 anos, cinco meses e 23 dias.

Segundo o médico, o intervalo pode representar um novo marco na medicina reprodutiva.

Registros anteriores mencionados no caso incluem períodos de aproximadamente 18 anos no Japão e 17 anos em Israel entre a criopreservação e o nascimento.

Nascimento reacende discussão sobre reprodução assistida

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O caso também voltou a colocar em debate os limites de idade estabelecidos para mulheres que desejam realizar tratamentos de fertilização.

O marido de Christina, Konstantinos Raptis, defendeu publicamente uma revisão dessas restrições, argumentando que a idade não deve ser o único fator considerado na avaliação das pacientes.

Especialistas, no entanto, destacam que procedimentos de reprodução assistida devem seguir critérios médicos e regras de segurança para proteger a saúde da gestante e do bebê.

Medicina reprodutiva avança com técnicas de preservação

A criopreservação de embriões é uma técnica utilizada em tratamentos de fertilização in vitro e permite que material reprodutivo permaneça armazenado por longos períodos.

O caso registrado na Grécia demonstra como avanços tecnológicos têm ampliado as possibilidades da medicina reprodutiva, ao mesmo tempo em que levantam discussões médicas, legais e éticas sobre os limites desses tratamentos.