País homenageia vítimas da tragédia no Broad Peak, no Paquistão, que provocou a morte de seis guias nepaleses e abalou a comunidade do montanhismo
O Nepal vive nesta segunda-feira (7) um dia de luto nacional em homenagem aos seis montanhistas nepaleses mortos em uma avalanche no Broad Peak, no Paquistão.
A tragédia aconteceu 13 dias antes e provocou forte comoção no país, especialmente entre a comunidade de montanhismo, que perdeu alguns de seus nomes mais experientes e reconhecidos internacionalmente.
Entre as vítimas está Nirmal Purja, conhecido mundialmente como Nims, um dos mais famosos alpinistas do Nepal.
Seis guias morreram na avalanche
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A avalanche atingiu uma expedição internacional que escalava o Broad Peak, uma das montanhas mais altas do planeta, localizada na cordilheira do Caracórum, no Paquistão.
Além de Purja, morreram outros cinco guias nepaleses: Kili Pemba Sherpa, Pur Bahadur Gurung, Gyaljen Sherpa, Nima Sherpa e Nawang Thindu Sherpa.
O grupo reunia profissionais com extensa experiência em grandes altitudes e participação em algumas das escaladas mais difíceis do mundo.
Nirmal Purja era referência mundial
A morte de Nims Purja teve impacto especial entre os montanhistas.
O alpinista ficou conhecido por completar a escalada das 14 montanhas com mais de 8 mil metros de altitude em pouco mais de seis meses, estabelecendo um dos feitos mais impressionantes da história do montanhismo.
Purja também integrou expedições pioneiras e ajudou a aumentar a visibilidade internacional dos montanhistas nepaleses.
Sua trajetória foi retratada no documentário 14 Montanhas, 8 Mil Metros e 7 Meses, da Netflix.
Uma geração de recordistas
A tragédia não atingiu apenas um grupo de montanhistas experientes. Segundo colegas, as seis vítimas representavam uma geração de guias nepaleses que ajudou a transformar a imagem dos sherpas.
Durante décadas, esses profissionais foram vistos principalmente como carregadores e auxiliares de expedições estrangeiras.
A nova geração passou a ocupar posição de protagonismo, liderando escaladas e estabelecendo recordes em algumas das montanhas mais perigosas do mundo.
Kili Pemba também tinha histórico extraordinário
Entre as vítimas estava Kili Pemba Sherpa, de 46 anos.
Pouco antes da tragédia, ele havia completado seu último “oitomil”, alcançando o chamado Grand Slam do montanhismo, que consiste em escalar as 14 montanhas mais altas do planeta.
Kili Pemba também fez parte da equipe nepalesa que realizou a primeira ascensão do K2 durante o inverno, em 2021.
País perdeu nomes importantes do montanhismo
Outra vítima, Pur Bahadur Gurung, tinha escalado 12 dos 14 “oitomil” e estava entre os guias nepaleses certificados pela Federação Internacional de Associações de Guias de Montanha.
Gyaljen Sherpa também possuía feitos relevantes, incluindo três ascensões ao Kanchenjunga em uma mesma temporada.
Já Nima Sherpa havia conquistado quatro “oitomil” somente em 2026, enquanto Nawang Thindu Sherpa, ainda jovem, era considerado uma das promessas da nova geração.
Tragédia chama atenção para os riscos
A avalanche também reacendeu o debate sobre os riscos enfrentados por profissionais que trabalham em grandes altitudes.
As montanhas do Paquistão possuem infraestrutura muito mais limitada do que as principais regiões de escalada do Nepal. A distância, o acesso difícil e a menor disponibilidade de helicópteros tornam operações de resgate ainda mais complexas.
Mesmo com os riscos, o montanhismo de alta altitude continua atraindo atletas e profissionais de todo o mundo.
Luto homenageia uma geração
O dia de luto decretado pelo Nepal representa uma homenagem não apenas às seis vítimas, mas também à contribuição que essa geração deixou para o montanhismo do país.
A trajetória dos guias mortos ajudou a consolidar o Nepal como uma das principais referências mundiais em montanhismo de alta altitude.
A tragédia no Broad Peak deixa uma enorme lacuna na comunidade esportiva nepalesa, mas também reforça o legado de uma geração que levou seus nomes e sua bandeira aos pontos mais extremos do planeta.
