Nova fase da Carbono Oculto cumpre mandados em sete estados e investiga estruturas financeiras utilizadas para esconder origem e controle de recursos
Uma nova ofensiva contra a lavagem de dinheiro no setor de combustíveis foi deflagrada nesta quinta-feira (24). A Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, mobilizou Receita Federal, Ministério Público de São Paulo e outros órgãos para aprofundar a investigação sobre estruturas financeiras suspeitas de ocultar patrimônio e recursos.
Segundo a Receita Federal, foram cumpridos mandados relacionados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, com ações em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Estruturas financeiras complexas
A investigação aponta que empresas, fintechs, fundos de investimento, holdings e outros instrumentos teriam sido utilizados para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários de operações envolvendo uma usina sucroalcooleira e uma grande distribuidora de combustíveis.
Um dos pontos examinados pelas autoridades envolve uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios. Os investigadores afirmam que diferentes fundos e empresas teriam sido usados para criar sucessivas camadas financeiras, dando aparência regular às movimentações.
Outra movimentação investigada envolve aproximadamente R$ 100 milhões, que teriam passado por diversas contas antes de chegar à estrutura utilizada para financiar a aquisição da distribuidora.
Bilhões sob investigação
Reportagens sobre a nova etapa da Carbono Oculto apontam que os investigadores analisam um conjunto de operações que teria movimentado cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
O objetivo agora é identificar os beneficiários finais, a origem dos recursos e a participação de empresas e operadores financeiros nas transações investigadas. As apurações continuam e os citados têm direito à defesa durante o processo.
