Ator contou no Festival de Veneza que começou a trabalhar no épico de Christopher Nolan poucas horas depois de concluir outro longa e percebeu que parte da voz do personagem anterior acabou aparecendo nas novas cenas
Robert Pattinson vive uma fase especialmente intensa da carreira. Com vários projetos importantes previstos para 2026, o ator britânico chamou atenção durante o Festival de Cinema de Veneza ao revelar uma curiosidade incomum dos bastidores: ele começou a filmar The Odyssey, de Christopher Nolan, poucas horas depois de terminar outro personagem — e acabou levando parte da voz anterior para o novo trabalho.
A história foi contada durante a divulgação de Primetime, filme apresentado em Veneza no qual Pattinson interpreta um personagem inspirado no apresentador americano Chris Hansen, conhecido pelo programa investigativo To Catch a Predator.
Para construir o papel, o ator precisou estudar durante meses a forma de falar, o sotaque, as pausas e os maneirismos associados ao apresentador. O trabalho foi tão intenso que, segundo o próprio Pattinson, aquela maneira específica de falar continuou presente mesmo quando as gravações já haviam terminado.
De um personagem para outro em questão de horas
O detalhe mais curioso aconteceu justamente na transição entre os dois filmes.
Pattinson contou que começou a trabalhar em The Odyssey apenas algumas horas depois de concluir as filmagens de Primetime.
Não houve, portanto, um intervalo significativo para que o ator abandonasse completamente os hábitos construídos para o personagem anterior.
O resultado apareceu quando ele posteriormente assistiu a partes de seu trabalho no novo longa.
Pattinson afirmou conseguir perceber um pouco da voz inspirada em Chris Hansen em determinadas partes de The Odyssey. A explicação, segundo ele, é bastante simples: sua mente e sua voz ainda estavam adaptadas ao papel que acabara de interpretar.
Para o público, a situação pode parecer apenas uma curiosidade divertida. Para atores, no entanto, ela revela um dos desafios pouco conhecidos de trabalhar em produções diferentes praticamente ao mesmo tempo.
Cada personagem pode exigir alterações de postura, ritmo de fala, sotaque, expressão corporal e até maneira de respirar.
Quando as gravações acontecem em sequência, essas características nem sempre desaparecem imediatamente quando o diretor diz “corta” pela última vez.
Pattinson disse que papel exigiu um dos trabalhos vocais mais difíceis de sua carreira
Em Primetime, Robert Pattinson interpreta um apresentador de televisão envolvido em um formato de programa baseado em operações com câmeras escondidas.
O longa foi inspirado no universo de To Catch a Predator, programa americano que ganhou enorme repercussão ao confrontar suspeitos atraídos para encontros organizados por meio de identidades falsas.
Embora o filme não seja apresentado como uma biografia direta de Chris Hansen, Pattinson reconheceu que a personalidade televisiva do apresentador foi uma referência importante para a construção do personagem.
Segundo o ator, dominar a voz e os maneirismos necessários esteve entre os aspectos mais trabalhosos do papel.
O diretor Lance Oppenheim passou anos pesquisando o universo que inspirou a produção, e Pattinson acabou mergulhando profundamente nesse material durante a preparação.
Quanto mais o ator estudava o personagem, mais aquela maneira de falar se tornava automática.
Foi justamente essa preparação intensa que acabou criando a situação curiosa nas filmagens seguintes.
E o filme seguinte não era qualquer produção
A troca imediata de personagens ganha ainda mais destaque porque o próximo projeto de Pattinson era The Odyssey, uma das grandes produções cinematográficas de 2026.
Dirigido por Christopher Nolan, o longa é inspirado na obra atribuída ao poeta grego Homero e reúne um elenco de grandes estrelas.
Pattinson já havia trabalhado com Nolan anteriormente em Tenet, lançado em 2020.
Agora, voltou a colaborar com o diretor em um projeto de escala muito maior.
Sair de um personagem inspirado em um apresentador de televisão contemporâneo e praticamente entrar direto no universo épico da Grécia antiga exigiu uma mudança radical de registro.
Mas aparentemente o cérebro do ator precisou de um pouco mais de tempo para acompanhar essa transformação.
“Consigo ouvir um pouco de Chris Hansen”
Ao comentar a situação em Veneza, Pattinson brincou sobre o resultado.
O ator explicou que começou o novo trabalho literalmente poucas horas depois e que, ao assistir ao material posteriormente, conseguiu identificar traços do personagem anterior em sua atuação.
A declaração provocou risadas durante a apresentação do filme.
O próprio Pattinson tratou o episódio com humor, embora a história também mostre o nível de concentração necessário para desenvolver sotaques e personalidades diferentes em períodos muito curtos.
Esse tipo de situação não significa necessariamente que o desempenho final permaneça dessa maneira.
Produções de grande orçamento costumam realizar diversas tomadas, regravações e trabalhos posteriores de áudio.
Mas a curiosidade oferece uma rara visão sobre algo que o público dificilmente percebe: a transição mental de um ator entre personagens pode continuar acontecendo mesmo quando as câmeras de outro filme já começaram a rodar.
Um dos anos mais movimentados da carreira de Pattinson
O episódio ocorre em um momento em que Robert Pattinson está presente em diversos projetos de grande repercussão.
Além de Primetime e The Odyssey, o ator também integra Dune: Part Three, previsto para chegar aos cinemas ainda em 2026.
Segundo a Reuters, Pattinson participa de quatro grandes filmes lançados ao longo do ano, uma sequência de trabalhos que ajuda a explicar por que as transições entre personagens ficaram tão apertadas.
O ator disse considerar estimulante poder trabalhar em projetos tão diferentes, embora tenha reconhecido que alternar entre vários personagens também apresenta dificuldades.
É justamente essa variedade que marcou boa parte da trajetória de Pattinson após o enorme sucesso da franquia Crepúsculo.
Ao longo dos anos, ele buscou filmes independentes, produções experimentais e grandes franquias de Hollywood.
Depois vieram trabalhos como The Batman, Tenet e outras produções que ampliaram sua imagem muito além do personagem Edward Cullen.
