Zanin e Gilmar recebem íntegra de celular de Vorcaro antes de julgamento no STF

Zanin e Gilmar recebem íntegra de celular de Vorcaro antes de julgamento no STF

Ministros solicitaram acesso completo aos dados do aparelho antes de sessão que discutirá relatório da PF envolvendo mensagens destinadas a Alexandre de Moraes

Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), receberam nesta segunda-feira (14) acesso integral ao conteúdo extraído do celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O compartilhamento foi realizado pela Polícia Federal após determinação de Zanin, que havia solicitado uma cópia completa dos dados para analisar o material antes do julgamento marcado para esta terça-feira (15).

O aparelho foi apreendido durante a Operação Compliance Zero e contém mensagens mencionadas em relatório da Polícia Federal que será analisado pelo plenário do Supremo.

Julgamento está marcado para terça-feira

A sessão foi convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para discutir o relatório elaborado pela Polícia Federal a pedido do ministro André Mendonça.

Entre os elementos apresentados pelos investigadores estão 52 mensagens atribuídas a Vorcaro que teriam Alexandre de Moraes como destinatário.

Os ministros deverão discutir, entre outros pontos, a validade do procedimento adotado para a produção do relatório e os limites para a investigação envolvendo um integrante da própria Corte.

O caso provocou divergências internas no Supremo e intensificou as discussões entre os ministros nos últimos dias.

Ministros cobraram acesso ao conteúdo completo

Cristiano Zanin havia solicitado na sexta-feira (11) acesso irrestrito ao material extraído do telefone.

Inicialmente, Fachin encaminhou a solicitação ao ministro André Mendonça, responsável pelo caso.

Mendonça informou, entretanto, que o aparelho permanecia sob responsabilidade da Polícia Federal e que seu gabinete possuía apenas uma cópia de segurança dos dados.

Segundo o ministro, o material estava armazenado em um HD criptografado, entregue pela PF em março e mantido lacrado.

Após receber essa informação, Zanin determinou diretamente ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que fornecesse uma cópia integral do conteúdo.

Gilmar Mendes também solicitou acesso ao material.

Divergência sobre compartilhamento

André Mendonça manifestou preocupação com a disponibilização integral dos dados antes do julgamento.

Segundo o ministro, a abertura de todo o conteúdo poderia prejudicar o andamento das investigações e provocar discussões que não estariam diretamente relacionadas ao objeto da sessão.

Por outro lado, Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes defenderam que os integrantes do STF deveriam ter acesso completo às informações para compreender o contexto das mensagens antes de votar.

Moraes argumentou que não caberia ao relator definir quais documentos poderiam ou não ser analisados pelos demais integrantes do colegiado.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou favoravelmente ao acesso integral dos ministros aos dados extraídos do aparelho.

STF vai decidir sobre relatório da Polícia Federal

No julgamento desta terça-feira, o plenário deverá avaliar principalmente a validade do relatório produzido pela Polícia Federal e os procedimentos adotados por André Mendonça.

Parte dos ministros questiona se uma investigação envolvendo um integrante do Supremo poderia ter avançado sem autorização prévia do plenário.

A discussão é considerada incomum dentro da Corte e poderá estabelecer parâmetros para situações semelhantes no futuro.

Votos ainda são alvo de expectativa

Nos bastidores, há expectativa sobre como cada ministro deverá se posicionar.

Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como integrantes que tendem a apresentar posições próximas às defendidas por Moraes.

André Mendonça, por sua vez, poderia contar com posições semelhantes às de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

Ainda há incerteza sobre os votos de Edson Fachin e Cármen Lúcia.

Dias Toffoli também poderá não participar da votação, uma vez que já declarou suspeição em outros desdobramentos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master.

O julgamento desta terça-feira deverá definir se o relatório produzido pela Polícia Federal será considerado válido e quais procedimentos poderão ser adotados a partir das informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro.