Alexandre de Moraes reafirma a tutela do Poder Civil sobre o Militar

Alexandre de Moraes reafirma a tutela do Poder Civil sobre o Militar

Ah, os militares não iriam desmontar os acampamentos repletos de golpistas à porta dos QGs do Exército uma vez que apoiaram a reeleição de Bolsonaro e estavam inconformados com sua derrota.

Os acampamentos sumiram. Verdade que atravessaram vivos a posse de Lula, ganharam robustez nos dias seguintes e atingiram seu clímax com a tentativa fracassada do golpe em 8 de janeiro.

 

Também é verdade que o Exército, em Brasília, usou tanques para impedir que a Polícia Militar prendesse na noite daquele dia os vândalos que invadiram as sedes dos Poderes da República.

Mas, na manhã da segunda-feira, dia 9, centenas deles foram presos. O comandante do Exército, que os protegeu, foi demitido, e o Comandante Militar do Planalto perdeu a função.

Havia um tenente-coronel, ex-ajudante de ordem de Bolsonaro, que fora promovido à chefia da tropa especial sediada em Goiânia. Não assumiu o posto estratégico. E o mundo não desabou.

O Exército ganhou um novo comandante legalista. Que bateu continência para Lula, trocou as chefias de postos importantes e pôs ordem na caserna. Se dentes rangeram, não se escutou.

Ah, dizem agora, a Justiça Militar reagirá à decisão do ministro Alexandre de Moraes de manter na Justiça Civil a apuração de crimes cometidos por militares no 8 de janeiro.

 

Reagirá como, além de estrebuchar em silêncio? “A Justiça Militar não julga crimes de militares, mas sim crimes militares”, definiu Moraes. Atentar contra a democracia não é crime militar.

É questão do Código Penal, não do Código Penal Militar, eventuais crimes cometidos por militares no dia da infâmia. A competência para processá-los e julgá-los é do Supremo. E ponto final.

A Polícia Federal informa que policiais militares indicaram a participação ou omissão no ato golpista de militares do Gabinete de Segurança Institucional e do Batalhão da Guarda Presidencial.

Moraes autorizou a Polícia Federal a investigá-los. A propósito: a minuta do golpe encontrada na casa de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, estava prenhe de digitais.

Os donos das digitais já foram identificados. Falta identificar a máquina onde a minuta foi impressa, possivelmente uma da Casa Civil da presidência da República.

Quanto a Torres, ele continua preso, longe de dezenas de pássaros que mantinha em cativeiro na sua casa. Por sinal, também será investigado por mais esse crime.