A divulgação de gravações feitas pela Polícia Federal que mostram conversas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva levaram milhares de manifestantes às ruas e também provocaram dúvidas. Um dia depois que as ligações começaram a circular pela imprensa, perguntas sobre a legalidade da ação de Moro, os supostos indícios de ilegalidades nas conversas e as consequências de tudo isso para a Lava Jato povoam a cabeça dos brasileiros.

Frente a tantas dúvidas, a BBC Brasil consultou advogados para esclarecer os principais pontos da divulgação da conversas, além de falar das consequências disso para o andamento da Lava Jato. Leia a reportagem:


Quatro perguntas sobre os grampos de Lula

18:17

Manifestantes protestam contra a presidente Dilma e o ex-presidente Lula na Avenida Paulista. Muitos carregam cartazes em apoio ao juiz Sérgio Moro.

18:06

A comissão especial para avaliar o impeachment foi aprovada nesta quinta-feira, e os trabalhos dela já começaram. Agora, a presidente Dilma Rousseff poderá apresentar sua defesa nas próximas dez sessões para depois a comissão avaliar se o pedido de impedimento é procedente ou não - isso levará mais cinco sessões.

Entenda o processo de impeachment e as outras ameaças que estão em curso ao governo de Dilma.


Entenda as próximas etapas da crise política

17:56

Renata Mendonça - @renata_mendonca, Da BBC Brasil em São Paulo

A BBC Brasil confirmou com o STF que, neste momento, há nove ações contra a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil. Seis delas estão nas mãos do ministro Gilmar Mendes, e duas estão com o ministro Teori Zavascki.

A nona era uma medida cautelar enviada antes mesmo da posse de Lula que foi julgada e negada pelo ministro Marco Aurélio Mello - no entanto, houve recurso e ela ainda está sendo analisada.

Ao mesmo tempo, a Advocacia Geral da União (AGU) também está recorrendo da medida que suspendeu a posse do ex-presidente alegando "ausência de imparcialidade objetiva".

17:46

A presidente Dilma já foi notificada oficialmente da decisão do juiz federal Itagiba Catta Preta Neto de suspender a nomeação e a posse do ex-presidente Lula como ministro-chefe da Casa Civil.

Segundo a Agência Brasil, pouco antes das 14h, um oficial de Justiça entregou a notificação a um funcionário do Palácio da Alvorada, que a assinou e se comprometeu a entregar pessoalmente a ela o documento.

No momento em que o comunicado foi entregue, Dilma estava no Palácio da Alvorada, sua residência oficial, reunida com Lula, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, e o novo ministro da Chefia de Gabinete da Presidência, Jaques Wagner, que deixou a Casa Civil.

17:34

O Instituto Lula acaba de divulgar uma nota rebatendo uma reportagem recém-publicada da revista Veja, sobre uma minuta de um contrato que mostraria que o sítio de Atibaia (SP) seria transferido para Lula.

"A minuta da escritura de compra e venda publicada por Veja somente autoriza uma conclusão oposta àquela publicada pela revista", diz a nota. "O documento permite concluir que o ex-presidente Lula cogitou comprar o Sítio Santa Bárbara, de Atibaia (SP), dos seus reais proprietários, Fernando Bittar e Jonas Suassuna. O ex-presidente cogitou comprar justamente porque não é o dono do sítio."

17:07

Enquanto isso, as manifestações na av. Paulista prosseguiam na tarde desta quinta.

17:04

Oito sindicalistas estão em frente ao prédio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo (SP), sem uniformes ou bandeiras, fazendo uma vigília no local. Eles têm respondido apenas a provocações de pessoas que passam na rua ou nos carros xingando Lula.

Não há policiais no local.

As informações são da Agência Brasil.

16:46

Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou "extrema preocupação com o agravamento da crise política e econômica" em comunicado emitido nesta quinta.

"Ninguém aguenta mais assistir ao espetáculo deprimente em que se transformou a política brasileira", diz a nota assinada pelo presidente da CNI, Robson Braga - que era considerado próximo à presidente Dilma Rousseff.

"É imprescindível restabelecer a governabilidade. (...) O setor empresarial espera que as instituições brasileiras, principalmente o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), com o apoio e a participação da sociedade, consigam encontrar, com urgência, soluções para tirar o país da crise política e econômica."

"Neste momento turbulento da vida nacional, a indústria brasileira exige grandeza, serenidade e espírito público dos homens e das mulheres que ocupam os Três Poderes da República, para que o Brasil possa superar o cenário adverso, voltar a crescer e ter confiança no futuro."